Mostrando postagens com marcador cronica. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador cronica. Mostrar todas as postagens
quarta-feira, 28 de abril de 2010
Mi Buenos Aires Querido
Desde adolescente coloquei na cabeça lugares que gostaria de conhecer antes de morrer...
Já visitei alguns e acabei conhecendo outros que me apaixonei sem, contudo te-los listado como lugares que eu conheceria.
Mas tinha um em particular que me era caro – Argentina – talvez porque na faculdade lesse tantos livros em espanhol, ou porque namorei um rapaz boliviano e adorava ouvi-lo falar a língua – o espanhol me soava doce, romântico, como uma musica nos meus ouvidos ávidos de palavras adocicadas.
Conheci o Paraguai, na divisa com o Brasil e a Argentina perto de Foz... Conheci da Bolívia também os lugares próximos a fronteira com o acre onde morei muitos anos –
Mas não conheci Machu Pichu que era um sonho e nem Buenos Aires, o tango, o ar charmoso dos homens argentinos...
Acabei conhecendo o Uruguai que também gostei muito, o sotaque uruguaio, a delicadeza do povo no atendimento aos brasileiros me encantou. Conheci Mar Del Plata, o Hotel Cassino Conrad... Mas não conheci a Argentina do La Boca, do Maradona, do tango, das carnes dos churrasco, ditos maravilhosos, da vida noturna...
Muitos amigos foram, conheci outros amigos pela net que moravam na Argentina e eu nada. Sempre o passeio ficava para depois.
Cheguei a ir ate Aruba, mas não fui à Argentina...
Mas agora vou. Vou mesmo. Eu e três amigos resolvemos ir agora em maio. Parecemos adolescentes em fuga. Todos agoniados esperando chegar o grande dia. Fazemos planos e mais planos. O tango, o churrasco, o cassino flutuante, as compras...
As passagens já foram compradas, Os sites de dicas foram visitados. Faltam pequenas coisas como a mala o que levar – levar menos para trazer mais...
O hotel já foi reservado e pago... Uma amiga sai de Floripa e vai nos encontrar na conexão em São Paulo Nós outros três, sairemos de Brasília
Marcamos os lugares no vôo, reservamos o taxi que os levara do aeroporto ao Hotel e vice versa.
Agora é só esperar... Buenos Aires que nos aguarde estamos chegando ai...
sexta-feira, 5 de março de 2010
OS AMORES QUE EU VIVI
Pensei em todos os amores que já tive e de cada um ficou uma lembrança gostosa de passado.
Meu primeiro amor, era o reflexo do amor criança,do amor adolescente. Hoje ele é medico pediatra e vive dentro da Amazônia e nem sei se lembra de mim. Mas eu lembro dele. Foi a minha primeira traição e o que o afastou de mim. Uma traição infantil que não deixaria marcas profundas apenas arranhões mas que não foi perdoada.Com ele aprendi que Homens não sabem perdoar....
Meu segundo amor era de Ouro Preto e foi o motivo de minha separação do amor criança. Hoje Engenheiro aposentado, professor e fazendeiro. Cheio de filhos que não dei até porque naquela época a ele eu não me dei.Mas eu tinha um pressentimento que não tinha acabado e que amores mal resolvidos era coisa do passado. Com ele aprendi sobre determinação, entusiasmo, garra e luta por aqueles que queremos.
Meu terceiro grande amor era um Psicólogo assim como eu porém mais maduro que eu, mais vivido .Com ele aprendi muitas das coisas que sei mas aprendi também que os homens dizem aquilo que queremos ouvir mas que lhes falta a coragem de decidir. Dele me lembro sem muita saudade.Me fazia lembrar de homens fracos, sem determinação, sem coragem.
Meu quarto grande amor também era advogado e hoje vive em Teresópolis cercado de filhos. Foi um amor maduro, sentido,daqueles que a gente tem a certeza que é para sempre. Com ele eu escalaria montanhas, subiria penhascos e sem medo porque tinha ele o dom de me fazer sentir segura e amada. Com ele aprendi o sentido real de sentir-se amada. Dele me lembro sempre com muita, muita saudade. Foi o único amor altruísta que verdadeiramente conheci mas que pela minha inexperiência deixei-o ir.
Meu quinto amor também era advogado e hoje mora não sei bem aonde mas não o sinto feliz. Faltou-lhe coragem e determinação para escolher o caminho certo. Me deu tudo o que alguém deseja, me deu AMOR, me deu carinho. Me deu filhos, me deu os netos .Dele me lembro com carinho e deixei-o ir-se porque ele vivia na Terra do Nunca e eu não conseguia mais voar com ele e nem conseguia viver na Terra dos Meninos Perdidos. Ele não cresceu eu cresci.Ele continua perdido e eu me achei na vida. Mas dele guardo as mais doces lembranças e o sabor dos mais amargos remédios.
Meu sexto amor e talvez o último foi um retorno ao passado e com ele revivi as doces lembranças e o carinho infantil na idade adulta. Ele conseguiu me fazer voltar, não na Terra do Nunca pois ele nunca viveu ali, mas à adolescência onde eu me sentia linda, feliz, satisfeita e alegre. Com ele aprendi a ver que nem tudo o que parece é e que uma vez girada a Roda do Tempo não conseguimos recuperar o que passou. Ficou a doçura do abraço, ficou o gosto de pizza nos meus lábios, ficou o gosto o amor nos meus braços. Gostaria de terminar minha vida em seus braços,sentindo-me protegida, amparada , amada e cuidada. Não sei como ele esta ou como vive ou onde vive realmente. Mas no meu coração ele vive e mora , aluga todos os quartos das minhas recordações e me deixa a sensação que nas noites que me acho sozinha e desprotegida, ele esta por ali, cuidando. Dele sempre me lembro e nunca esquecerei o sentido da palavra - SAUDADE
Foram esses os amores que eu vivi
Meu primeiro amor, era o reflexo do amor criança,do amor adolescente. Hoje ele é medico pediatra e vive dentro da Amazônia e nem sei se lembra de mim. Mas eu lembro dele. Foi a minha primeira traição e o que o afastou de mim. Uma traição infantil que não deixaria marcas profundas apenas arranhões mas que não foi perdoada.Com ele aprendi que Homens não sabem perdoar....
Meu segundo amor era de Ouro Preto e foi o motivo de minha separação do amor criança. Hoje Engenheiro aposentado, professor e fazendeiro. Cheio de filhos que não dei até porque naquela época a ele eu não me dei.Mas eu tinha um pressentimento que não tinha acabado e que amores mal resolvidos era coisa do passado. Com ele aprendi sobre determinação, entusiasmo, garra e luta por aqueles que queremos.
Meu terceiro grande amor era um Psicólogo assim como eu porém mais maduro que eu, mais vivido .Com ele aprendi muitas das coisas que sei mas aprendi também que os homens dizem aquilo que queremos ouvir mas que lhes falta a coragem de decidir. Dele me lembro sem muita saudade.Me fazia lembrar de homens fracos, sem determinação, sem coragem.
Meu quarto grande amor também era advogado e hoje vive em Teresópolis cercado de filhos. Foi um amor maduro, sentido,daqueles que a gente tem a certeza que é para sempre. Com ele eu escalaria montanhas, subiria penhascos e sem medo porque tinha ele o dom de me fazer sentir segura e amada. Com ele aprendi o sentido real de sentir-se amada. Dele me lembro sempre com muita, muita saudade. Foi o único amor altruísta que verdadeiramente conheci mas que pela minha inexperiência deixei-o ir.
Meu quinto amor também era advogado e hoje mora não sei bem aonde mas não o sinto feliz. Faltou-lhe coragem e determinação para escolher o caminho certo. Me deu tudo o que alguém deseja, me deu AMOR, me deu carinho. Me deu filhos, me deu os netos .Dele me lembro com carinho e deixei-o ir-se porque ele vivia na Terra do Nunca e eu não conseguia mais voar com ele e nem conseguia viver na Terra dos Meninos Perdidos. Ele não cresceu eu cresci.Ele continua perdido e eu me achei na vida. Mas dele guardo as mais doces lembranças e o sabor dos mais amargos remédios.
Meu sexto amor e talvez o último foi um retorno ao passado e com ele revivi as doces lembranças e o carinho infantil na idade adulta. Ele conseguiu me fazer voltar, não na Terra do Nunca pois ele nunca viveu ali, mas à adolescência onde eu me sentia linda, feliz, satisfeita e alegre. Com ele aprendi a ver que nem tudo o que parece é e que uma vez girada a Roda do Tempo não conseguimos recuperar o que passou. Ficou a doçura do abraço, ficou o gosto de pizza nos meus lábios, ficou o gosto o amor nos meus braços. Gostaria de terminar minha vida em seus braços,sentindo-me protegida, amparada , amada e cuidada. Não sei como ele esta ou como vive ou onde vive realmente. Mas no meu coração ele vive e mora , aluga todos os quartos das minhas recordações e me deixa a sensação que nas noites que me acho sozinha e desprotegida, ele esta por ali, cuidando. Dele sempre me lembro e nunca esquecerei o sentido da palavra - SAUDADE
Foram esses os amores que eu vivi
TUDO O QUE QUERIA FALAR
Não sei se quero dizer tudo o que sinto agora, mas sei que preciso esvaziar um pouco do sentimento que me sufoca e me amedronta.- estar só.
Chego em casa, abro a porta e ninguém me espera.
O telefone esta mudo.
O computador não me completa -Preciso de alguém com quem falar alguém que responda as minhas perguntas mais tolas, alguém que me de bom dia. - alguém com quem falar e ouvir.
Passeio pela casa que permanece arrumada pois se ninguém vem não tem como bagunçar,sujar.
Descubro enfim que não há muito o que fazer.
Tomo banho, troco a roupa, telefono para amigas que coincidentemente não estão. A televisão não traz nada de novo a não ser tragédias, mortes, terremotos, malversações do dinheiro público....assaltos, sequestros...tuo o que eu não quero ver nem ouvir, nem saber porque me angustia, me causa uma sensação terrível de abandono.
Minha mãe mora longe, os filhos estão longe, os netos idem.
Não existe um grande amor para viver e nem um pequenino amor para sobreviver.
Não existe um convite que me agrade de tomar um chopinho, jogar conersa fora.
Não me interesso mais por ir cantar no karaokê. Acho que descobri que canto mal e não quero ouvir minha voz desafinada.
Então penso na vida e descubro que é tudo igual e que me aporrinho por nada. Tem aqueles que tem companheiros mas que estão um em cada canto da casa, isolados e perdidos mas morando juntos ou dormindo juntos mas cada um numa estrada empoeirada da vida carregando suas trouxas cheias de lembranças.
Tem outros que moram ainda com os pais mas que esperam a oportunidade de terem sua casa, suas coisas e que acabam morando num quarto da casa e acham que estão felizes mas carregam também mochilas de desejos nao realizados, de planos nao concretizados de ideais não atingidos.
E assim, paro de pensar que me cansa mais do que ficar na falta do absolutamente.
Descubro um jeito só meu de ver a vida de outra forma - escrevendo e quando jogo fora todas as coisas que me sufocam , me refaço e do nada faço surgir uma nova mulher que ainda tem tempo para o tempo de sonhar.
E mergulho nas cobertas de minha cama, coloco a cabeça no travesseiro que já tem a minha forma e me deixo enfim dormir e sonhar e saber que amanha é um novo dia e que eu estarei ali para viver uma nova historia.
Isso é tudo o que queria dizer
Chego em casa, abro a porta e ninguém me espera.
O telefone esta mudo.
O computador não me completa -Preciso de alguém com quem falar alguém que responda as minhas perguntas mais tolas, alguém que me de bom dia. - alguém com quem falar e ouvir.
Passeio pela casa que permanece arrumada pois se ninguém vem não tem como bagunçar,sujar.
Descubro enfim que não há muito o que fazer.
Tomo banho, troco a roupa, telefono para amigas que coincidentemente não estão. A televisão não traz nada de novo a não ser tragédias, mortes, terremotos, malversações do dinheiro público....assaltos, sequestros...tuo o que eu não quero ver nem ouvir, nem saber porque me angustia, me causa uma sensação terrível de abandono.
Minha mãe mora longe, os filhos estão longe, os netos idem.
Não existe um grande amor para viver e nem um pequenino amor para sobreviver.
Não existe um convite que me agrade de tomar um chopinho, jogar conersa fora.
Não me interesso mais por ir cantar no karaokê. Acho que descobri que canto mal e não quero ouvir minha voz desafinada.
Então penso na vida e descubro que é tudo igual e que me aporrinho por nada. Tem aqueles que tem companheiros mas que estão um em cada canto da casa, isolados e perdidos mas morando juntos ou dormindo juntos mas cada um numa estrada empoeirada da vida carregando suas trouxas cheias de lembranças.
Tem outros que moram ainda com os pais mas que esperam a oportunidade de terem sua casa, suas coisas e que acabam morando num quarto da casa e acham que estão felizes mas carregam também mochilas de desejos nao realizados, de planos nao concretizados de ideais não atingidos.
E assim, paro de pensar que me cansa mais do que ficar na falta do absolutamente.
Descubro um jeito só meu de ver a vida de outra forma - escrevendo e quando jogo fora todas as coisas que me sufocam , me refaço e do nada faço surgir uma nova mulher que ainda tem tempo para o tempo de sonhar.
E mergulho nas cobertas de minha cama, coloco a cabeça no travesseiro que já tem a minha forma e me deixo enfim dormir e sonhar e saber que amanha é um novo dia e que eu estarei ali para viver uma nova historia.
Isso é tudo o que queria dizer
quarta-feira, 6 de janeiro de 2010
PAIS ETERNOS APAIXONADOS
Paciência era tudo o que eu tinha para com meus filhos pequenos. Quando a noite chegava e a minha filha pequena não queria dormir, quando meu filho com asma passava as noites sufocado, eu tirava do fundo da alma a paciência que era necessária para eles se sentirem protegidos e amados.
Paciência com as coisas que menino faz e que outras pessoas ficam irritadas e resolvem criticar o nosso papel de mãe, de pai. Não me irritava, não os culpava....simplesmente amava-os.
Paciência para as vezes em que eles chegavam na hora do almoço com vários coleguinhas ,de repente, para almoçar sem avisar.
Paciência para quando mais jovens, nas Repúblicas estudando, traziam vários amigos da Universidade onde estudavam em outro Estado,para dormir e ficar em meu apartamento de dois quartos, espalhados pela sala, na rede, no chão do meu quarto...
Sempre encontrei a paciência que não deixei perder-se na bagunça que ficava na casa depois que eles iam embora...
Respeito era tudo o que eu tinha para com meus filhos pequenos
Respeitava seus gostos e desgostos, suas alegrias exageradas e suas tristezas escondidas. Tinha para eles sempre o perdão e não a crítica. Bajulava-os sempre.
Amor quando eu após um mês de trabalho trazia para casa um playmobill do meu salário suado do qual como mágica, sempre conseguia tirar uma pequena parte para fazê-los sorrir. Para um playmobill, e para a , boneca , ou pequenas, panelinhas... qualquer coisa que fizesse surgir aquele brilho no olhar. deles.
Amor nas noites de Natal onde nunca faltou um presente, por mias singelo que fosse ou um aniversário nunca esquecido. Por mais dura que eu estivesse sempre arrumava uma forma de fazer um bolo, comprar a esperada coca cola e cantar parabéns...
Certeza i do amor de meus filhos por mim e do meu por eles. Certeza de que tudo o que fiz foi procurando fazer deles mais que filhos, meus melhores amigos.
Os filhos crescem e deixam de serem filhos para serem pais e mães, esposos e esposas e uma nova família que acaba sendo mais importante do que a anterior- é natural, é a lei da vida.
Tem as mesmas preocupações que tínhamos e interesses diferentes. Já não trazem no olhar o brilho de ganhar bonecas e playmobill...Tem suas próprias bonecas e seus carrinhos são de verdade.
Não sentem mais interesse em passeios no parque, em andar em pangarés na pracinha, em acampar, em procurar ovos de páscoa escondidos ou papai Noel no céu.
Já não reclamam da asma ou do joelho ferido na queda da bicicleta. Agora se preocupam com joelhos machucados e asma dos seus filhotes....
Nunca reclamar dos filhos, entender o que se passava na cabeça adolescente. Tentar ser mãe e pai e às vezes avó e amiga perdida. Era tudo o que qualquer mãe fazia.
Hoje se os pais se sentem esquecidos, sem obter dos filhos uma parcela daquele imenso tempo que eles lhe dedicavam. Se questionam são vistos como egoístas, ciumentos, estressados...
Impaciência com os mais velhos é o que os filhos tem. Paciência reduzida com os pais, mas eles só vão descobrir isso depois, muito depois quando forem avós e avôs...
Quando os pais adoecem de solidão, comum nos dias de hoje, eles escrevem e-mails, falam pelo skype, mandam pelo celular fotos... tudo parece mais fácil, mais pratico, mais rápido. Falta apenas um detalhe pequeno, sem muita importância hoje, mas que antigamente era tudo de bom... os telefonemas no meio da noite para acalmar o choro de um cabelo cortado errado pelo cabeleireiro, ou o namoro terminado.....falta a voz do apego e do aconchego...as palavras que mais pareciam abraços perdidos na linha interrompida pelos soluços..
Falta tirar do suado salário de casado, o dinheiro do afeto que dê para fazer surgir nos olhos dos pais o brilho igual aquele que surgia neles quando recebiam um playmobill ou uma boneca.
Falta fazer surgir tempo para ouvir as reclamações do dia a dia com a faxineira e o pedreiro... tempo pequenino menor que o tempo de ensinar a andar de bicicleta sem rodinhas...
Os pais envelhecem, não só amadurecem, mas envelhecem... sua paciência se restringe a eles mesmos e aos netos que sem estresse, sem disputas empresariais, sem chefes irritantes,.
São apenas netos que querem afeto, abraço e amor. Querem perdão e carinho quando fazem algo errado, querem alguém que os ensine os primeiros passos, as primeiras cores, e a conhecer o primeiro arco-íris..
Pais querem poder curtir os netos, te-los por perto,, senti-los, amá-los, tocá-los e abraça-los.
Sentir que são necessários a alguém, úteis ....
Mas pais se apaixonam pelos filhos e nunca deixam de amá-los e assim as vezes uma perguntinha rápida no telefone:-
-como você está
- feliz aniversário
- adoraria que você pudesse almoçar comigo
Ou então atender a um pedido escondido,envergonhado, desesperado:
- Fica comigo uma tarde, uma noite, um amanhecer
Fazem a diferença entre ter ou não ter mais paciência!.......
Paciência com as coisas que menino faz e que outras pessoas ficam irritadas e resolvem criticar o nosso papel de mãe, de pai. Não me irritava, não os culpava....simplesmente amava-os.
Paciência para as vezes em que eles chegavam na hora do almoço com vários coleguinhas ,de repente, para almoçar sem avisar.
Paciência para quando mais jovens, nas Repúblicas estudando, traziam vários amigos da Universidade onde estudavam em outro Estado,para dormir e ficar em meu apartamento de dois quartos, espalhados pela sala, na rede, no chão do meu quarto...
Sempre encontrei a paciência que não deixei perder-se na bagunça que ficava na casa depois que eles iam embora...
Respeito era tudo o que eu tinha para com meus filhos pequenos
Respeitava seus gostos e desgostos, suas alegrias exageradas e suas tristezas escondidas. Tinha para eles sempre o perdão e não a crítica. Bajulava-os sempre.
Amor quando eu após um mês de trabalho trazia para casa um playmobill do meu salário suado do qual como mágica, sempre conseguia tirar uma pequena parte para fazê-los sorrir. Para um playmobill, e para a , boneca , ou pequenas, panelinhas... qualquer coisa que fizesse surgir aquele brilho no olhar. deles.
Amor nas noites de Natal onde nunca faltou um presente, por mias singelo que fosse ou um aniversário nunca esquecido. Por mais dura que eu estivesse sempre arrumava uma forma de fazer um bolo, comprar a esperada coca cola e cantar parabéns...
Certeza i do amor de meus filhos por mim e do meu por eles. Certeza de que tudo o que fiz foi procurando fazer deles mais que filhos, meus melhores amigos.
Os filhos crescem e deixam de serem filhos para serem pais e mães, esposos e esposas e uma nova família que acaba sendo mais importante do que a anterior- é natural, é a lei da vida.
Tem as mesmas preocupações que tínhamos e interesses diferentes. Já não trazem no olhar o brilho de ganhar bonecas e playmobill...Tem suas próprias bonecas e seus carrinhos são de verdade.
Não sentem mais interesse em passeios no parque, em andar em pangarés na pracinha, em acampar, em procurar ovos de páscoa escondidos ou papai Noel no céu.
Já não reclamam da asma ou do joelho ferido na queda da bicicleta. Agora se preocupam com joelhos machucados e asma dos seus filhotes....
Nunca reclamar dos filhos, entender o que se passava na cabeça adolescente. Tentar ser mãe e pai e às vezes avó e amiga perdida. Era tudo o que qualquer mãe fazia.
Hoje se os pais se sentem esquecidos, sem obter dos filhos uma parcela daquele imenso tempo que eles lhe dedicavam. Se questionam são vistos como egoístas, ciumentos, estressados...
Impaciência com os mais velhos é o que os filhos tem. Paciência reduzida com os pais, mas eles só vão descobrir isso depois, muito depois quando forem avós e avôs...
Quando os pais adoecem de solidão, comum nos dias de hoje, eles escrevem e-mails, falam pelo skype, mandam pelo celular fotos... tudo parece mais fácil, mais pratico, mais rápido. Falta apenas um detalhe pequeno, sem muita importância hoje, mas que antigamente era tudo de bom... os telefonemas no meio da noite para acalmar o choro de um cabelo cortado errado pelo cabeleireiro, ou o namoro terminado.....falta a voz do apego e do aconchego...as palavras que mais pareciam abraços perdidos na linha interrompida pelos soluços..
Falta tirar do suado salário de casado, o dinheiro do afeto que dê para fazer surgir nos olhos dos pais o brilho igual aquele que surgia neles quando recebiam um playmobill ou uma boneca.
Falta fazer surgir tempo para ouvir as reclamações do dia a dia com a faxineira e o pedreiro... tempo pequenino menor que o tempo de ensinar a andar de bicicleta sem rodinhas...
Os pais envelhecem, não só amadurecem, mas envelhecem... sua paciência se restringe a eles mesmos e aos netos que sem estresse, sem disputas empresariais, sem chefes irritantes,.
São apenas netos que querem afeto, abraço e amor. Querem perdão e carinho quando fazem algo errado, querem alguém que os ensine os primeiros passos, as primeiras cores, e a conhecer o primeiro arco-íris..
Pais querem poder curtir os netos, te-los por perto,, senti-los, amá-los, tocá-los e abraça-los.
Sentir que são necessários a alguém, úteis ....
Mas pais se apaixonam pelos filhos e nunca deixam de amá-los e assim as vezes uma perguntinha rápida no telefone:-
-como você está
- feliz aniversário
- adoraria que você pudesse almoçar comigo
Ou então atender a um pedido escondido,envergonhado, desesperado:
- Fica comigo uma tarde, uma noite, um amanhecer
Fazem a diferença entre ter ou não ter mais paciência!.......
segunda-feira, 4 de janeiro de 2010
Um texto para começar o ano de pe direito
Recebi este texto hoje e não pude deixar de publicá-lo porque ele é maravilhoso é um hino a todas as mulheres .... é lindissimo.
'Texto da Revista do Jornal O Globo)
'Eu não sirvo de exemplo para nada, mas, se você quer saber se isso é possível, me ofereço como piloto de testes. Sou a Miss Imperfeita, muito prazer. A imperfeita que faz tudo o que precisa fazer, como boa profissional, mãe, filha e mulher que também sou: trabalho todos os dias, ganho minha grana, vou ao supermercado, decido o cardápio das refeições, cuido dos filhos, telefono sempre para minha mãe, procuro minhas amigas, namoro, viajo, vou ao cinema, pago minhas contas, respondo a toneladas de e mails, faço revisões no dentista, mamografia, caminho meia hora diariamente, compro flores para casa, providencio os consertos domésticos e ainda faço as unhas e depilação!
E, entre uma coisa e outra, leio livros.
Portanto, sou ocupada, mas não uma workholic.
Por mais disciplinada e responsável que eu seja, aprendi duas coisinhas que operam milagres.
Primeiro: a dizer NÃO.
Segundo: a não sentir um pingo de culpa por dizer NÃO.
Existe a Coca Zero, o Fome Zero, o Recruta Zero.
Pois inclua na sua lista a Culpa Zero.
Quando você nasceu, nenhum profeta adentrou a sala da maternidade e lhe apontou o dedo dizendo que a partir daquele momento você seria modelo para os outros..
Seu pai e sua mãe, acredite, não tiveram essa expectativa: tudo o que desejaram é que você não chorasse muito durante as madrugadas e mamasse direitinho.
Você não é Nossa Senhora.
Você é, humildemente, uma mulher.
E, se não aprender a delegar, a priorizar e a se divertir, bye-bye vida interessante. Porque vida interessante não é ter a agenda lotada, não é ser sempre politicamente correta, não é topar qualquer projeto por dinheiro, não é atender a todos e criar para si a falsa impressão de ser indispensável. É ter tempo.
Tempo para fazer nada.
Tempo para fazer tudo.
Tempo para dançar sozinha na sala.
Tempo para bisbilhotar uma loja de discos.
Tempo para sumir dois dias com seu amor.
Três dias..
Cinco dias!
Tempo para uma massagem..
Tempo para ver a novela.
Tempo para receber aquela sua amiga que é consultora de produtos de beleza.
Tempo para fazer um tr abalho voluntário.
Tempo para procurar um abajur novo para seu quarto.
Tempo para conhecer outras pessoas.
Voltar a estudar.
Tempo para escrever um livro que você nem sabe se um dia será editado.
Tempo, principalmente, para descobrir que você pode ser perfeitamente organizada e profissional sem deixar de existir.
Porque nossa existência não é contabilizada por um relógio de ponto ou pela quantidade de memorandos virtuais que atolam nossa caixa postal.
Existir, a que será que se destina?
Destina-se a ter o tempo a favor, e não contra.
A mulher moderna anda muito antiga. Acredita que, se não for super, se não for mega, se não for uma executiva ISO 9000, não será bem avaliada. Está tentando provar não-sei-o-quê para não-sei-quem.
Precisa respeitar o mosaico de si mesma, privilegiar cada pedacinho de si.
Se o trabalho é um pedação de sua vida, ótimo!
Nada é mais elegante, charmoso e inteligente do que ser independente.
Mulher que se sustenta fica muito mais sexy e muito mais livre para ir e vir. Desde que lembre de separar alguns bons momentos da semana para usufruir essa independência, senão é escravidão, a mesma que nos mantinha trancafiadas em casa, espiando a vida pela janela.
Desacelerar tem um custo. Talvez seja preciso esquecer a bolsa Prada, o hotel decorado pelo Philippe Starck e o batom da M.A.C.
Mas, se você precisa vender a alma ao diabo para ter tudo isso, francamente, está precisando rever seus valores.
E descobrir que uma bolsa de palha, uma pousadinha rústica à beira-mar e o rosto lavado (ok, esqueça o rosto lavado) podem ser prazeres cinco estrelas e nos dar uma nova perspectiva sobre o que é, afinal, uma vida interessante'
Martha Medeiros - Jornalista e escritora
'Texto da Revista do Jornal O Globo)
'Eu não sirvo de exemplo para nada, mas, se você quer saber se isso é possível, me ofereço como piloto de testes. Sou a Miss Imperfeita, muito prazer. A imperfeita que faz tudo o que precisa fazer, como boa profissional, mãe, filha e mulher que também sou: trabalho todos os dias, ganho minha grana, vou ao supermercado, decido o cardápio das refeições, cuido dos filhos, telefono sempre para minha mãe, procuro minhas amigas, namoro, viajo, vou ao cinema, pago minhas contas, respondo a toneladas de e mails, faço revisões no dentista, mamografia, caminho meia hora diariamente, compro flores para casa, providencio os consertos domésticos e ainda faço as unhas e depilação!
E, entre uma coisa e outra, leio livros.
Portanto, sou ocupada, mas não uma workholic.
Por mais disciplinada e responsável que eu seja, aprendi duas coisinhas que operam milagres.
Primeiro: a dizer NÃO.
Segundo: a não sentir um pingo de culpa por dizer NÃO.
Existe a Coca Zero, o Fome Zero, o Recruta Zero.
Pois inclua na sua lista a Culpa Zero.
Quando você nasceu, nenhum profeta adentrou a sala da maternidade e lhe apontou o dedo dizendo que a partir daquele momento você seria modelo para os outros..
Seu pai e sua mãe, acredite, não tiveram essa expectativa: tudo o que desejaram é que você não chorasse muito durante as madrugadas e mamasse direitinho.
Você não é Nossa Senhora.
Você é, humildemente, uma mulher.
E, se não aprender a delegar, a priorizar e a se divertir, bye-bye vida interessante. Porque vida interessante não é ter a agenda lotada, não é ser sempre politicamente correta, não é topar qualquer projeto por dinheiro, não é atender a todos e criar para si a falsa impressão de ser indispensável. É ter tempo.
Tempo para fazer nada.
Tempo para fazer tudo.
Tempo para dançar sozinha na sala.
Tempo para bisbilhotar uma loja de discos.
Tempo para sumir dois dias com seu amor.
Três dias..
Cinco dias!
Tempo para uma massagem..
Tempo para ver a novela.
Tempo para receber aquela sua amiga que é consultora de produtos de beleza.
Tempo para fazer um tr abalho voluntário.
Tempo para procurar um abajur novo para seu quarto.
Tempo para conhecer outras pessoas.
Voltar a estudar.
Tempo para escrever um livro que você nem sabe se um dia será editado.
Tempo, principalmente, para descobrir que você pode ser perfeitamente organizada e profissional sem deixar de existir.
Porque nossa existência não é contabilizada por um relógio de ponto ou pela quantidade de memorandos virtuais que atolam nossa caixa postal.
Existir, a que será que se destina?
Destina-se a ter o tempo a favor, e não contra.
A mulher moderna anda muito antiga. Acredita que, se não for super, se não for mega, se não for uma executiva ISO 9000, não será bem avaliada. Está tentando provar não-sei-o-quê para não-sei-quem.
Precisa respeitar o mosaico de si mesma, privilegiar cada pedacinho de si.
Se o trabalho é um pedação de sua vida, ótimo!
Nada é mais elegante, charmoso e inteligente do que ser independente.
Mulher que se sustenta fica muito mais sexy e muito mais livre para ir e vir. Desde que lembre de separar alguns bons momentos da semana para usufruir essa independência, senão é escravidão, a mesma que nos mantinha trancafiadas em casa, espiando a vida pela janela.
Desacelerar tem um custo. Talvez seja preciso esquecer a bolsa Prada, o hotel decorado pelo Philippe Starck e o batom da M.A.C.
Mas, se você precisa vender a alma ao diabo para ter tudo isso, francamente, está precisando rever seus valores.
E descobrir que uma bolsa de palha, uma pousadinha rústica à beira-mar e o rosto lavado (ok, esqueça o rosto lavado) podem ser prazeres cinco estrelas e nos dar uma nova perspectiva sobre o que é, afinal, uma vida interessante'
Martha Medeiros - Jornalista e escritora
terça-feira, 29 de dezembro de 2009
FELIZ ANO NOVO
Ano Novo fim de um ciclo, começo de outro.
Momentos de muitas promessas. Nossos sonhos , nossas esperanças é que dão vida às nossas celebrações. Na passagem de Ano Novo, aproveitamos para lotar nossos corações de esperança , esperança de começar tudo de novo.
- Fogos e barulho.buzinadas, apitos e gritos de alegria. A tradição é muito antiga e, dizem, serve para espantar os maus espíritos. As pessoas reúnem-se para celebrar a festa com muitos abraços.
- Roupa nova. Vestir uma peça de roupa que nunca tenha sido usada combina com o espírito do Ano Novo. O costume aparece em várias versões, como trocar os lençóis da cama e usar uma roupa de baixo nova,comer 12 passas durante as 12 badaladas na virada do ano traz muita sorte, assim como subir numa cadeira com uma nota (dinheiro) em uma das mãos.
• Costumamos tomar no Ano-Novo muitas decisões e as vezes fazemos promessas de coisas que esperamos conseguir no novo ano. Eu mesma já fiz meus pedidos para 2010
e organizei meus desejos : perder peso, parar de fumar, economizar dinheiro e arrumar um amor para minha vida. Mas o que realmente é preciso fazer para se ganhar um Ano Novo diferente,maravilhoso?
Para responder, só achei uma pessoa no mundo que pode ter a melhor resposta a se seguir - Carlos Drumond de Andrade com a Receita de Ano Novo
Para você ganhar belíssimo Ano Novo
cor do arco-íris, ou da cor da sua paz,
Ano Novo sem comparação com todo o tempo já vivido
(mal vivido talvez ou sem sentido)
para você ganhar um ano
não apenas pintado de novo, remendado às carreiras,
mas novo nas sementinhas do vir-a-ser;
novo até no coração das coisas menos percebidas
(a começar pelo seu interior)
novo, espontâneo, que de tão perfeito nem se nota,
mas com ele se come, se passeia,
se ama, se compreende, se trabalha,
você não precisa beber champanha ou qualquer outra birita,
não precisa expedir nem receber mensagens
(planta recebe mensagens?
passa telegramas?)
Não precisa
fazer lista de boas intenções
para arquivá-las na gaveta.
Não precisa chorar arrependido
pelas besteiras consumadas
nem parvamente acreditar
que por decreto de esperança
a partir de janeiro as coisas mudem
e seja tudo claridade, recompensa,
justiça entre os homens e as nações,
liberdade com cheiro e gosto de pão matinal,
direitos respeitados, começando
pelo direito augusto de viver.
Para ganhar um Ano Novo
que mereça este nome,
você, meu caro, tem de merecê-lo,
tem de fazê-lo novo, eu sei que não é fácil,
mas tente, experimente, consciente.
É dentro de você que o Ano Novo
cochila e espera desde sempre.
– Carlos Drummond de Andrade
Fotos:Internet
Momentos de muitas promessas. Nossos sonhos , nossas esperanças é que dão vida às nossas celebrações. Na passagem de Ano Novo, aproveitamos para lotar nossos corações de esperança , esperança de começar tudo de novo.
- Fogos e barulho.buzinadas, apitos e gritos de alegria. A tradição é muito antiga e, dizem, serve para espantar os maus espíritos. As pessoas reúnem-se para celebrar a festa com muitos abraços.
- Roupa nova. Vestir uma peça de roupa que nunca tenha sido usada combina com o espírito do Ano Novo. O costume aparece em várias versões, como trocar os lençóis da cama e usar uma roupa de baixo nova,comer 12 passas durante as 12 badaladas na virada do ano traz muita sorte, assim como subir numa cadeira com uma nota (dinheiro) em uma das mãos.
• Costumamos tomar no Ano-Novo muitas decisões e as vezes fazemos promessas de coisas que esperamos conseguir no novo ano. Eu mesma já fiz meus pedidos para 2010
e organizei meus desejos : perder peso, parar de fumar, economizar dinheiro e arrumar um amor para minha vida. Mas o que realmente é preciso fazer para se ganhar um Ano Novo diferente,maravilhoso?
Para responder, só achei uma pessoa no mundo que pode ter a melhor resposta a se seguir - Carlos Drumond de Andrade com a Receita de Ano Novo
cor do arco-íris, ou da cor da sua paz,
Ano Novo sem comparação com todo o tempo já vivido
(mal vivido talvez ou sem sentido)
para você ganhar um ano
não apenas pintado de novo, remendado às carreiras,
mas novo nas sementinhas do vir-a-ser;
novo até no coração das coisas menos percebidas
(a começar pelo seu interior)
novo, espontâneo, que de tão perfeito nem se nota,
mas com ele se come, se passeia,
se ama, se compreende, se trabalha,
você não precisa beber champanha ou qualquer outra birita,
não precisa expedir nem receber mensagens
(planta recebe mensagens?
passa telegramas?)
Não precisa
fazer lista de boas intenções
para arquivá-las na gaveta.
Não precisa chorar arrependido
pelas besteiras consumadas
nem parvamente acreditar
que por decreto de esperança
a partir de janeiro as coisas mudem
e seja tudo claridade, recompensa,
justiça entre os homens e as nações,
liberdade com cheiro e gosto de pão matinal,
direitos respeitados, começando
pelo direito augusto de viver.
Para ganhar um Ano Novo
que mereça este nome,
você, meu caro, tem de merecê-lo,
tem de fazê-lo novo, eu sei que não é fácil,
mas tente, experimente, consciente.
É dentro de você que o Ano Novo
cochila e espera desde sempre.
– Carlos Drummond de Andrade
Fotos:Internet
segunda-feira, 22 de junho de 2009
AMIGAS PARA SEMPRE

foto internet
"Amigo que é amigo quando quer estar presente
faz-se quase transparente sem deixar-se perceber
Amigo é pra ficar, se chegar, se achegar,
se abraçar, se beijar, se louvar, bendizer
Amigo a gente acolhe, recolhe e agasalha
e oferece lugar pra dormir e comer
Amigo que é amigo não puxa tapete
oferece pra gente o melhor que tem e o que nem tem
quando não tem, finge que tem,
faz o que pode e o seu coração reparte que nem pão."
(Trecho da musica Amigo é casa)
Tantos anos se passaram e agora elas iam se rever. A ansiedade, as coisas não ditas, as coisas que ficaram no passado finalmente iam completar o quebra cabeças de duas amigas que ficaram separadas por muitos anos.
Crianças ainda, adolescentes dos anos quase dourados, estudaram juntas, trocaram confidências, faziam planos para o futuro, sonhavam, sonhavam.
O Colégio era o ponto de encontro. Os amigos eram os mesmos. Moravam em bairros diferentes, mas próximos.
Pensavam em se formar, casar, ter filhos, montar algum negocio e tinha ate uma idéia louca de uma boutique “Le Trois Amies”.
Mas o tempo passou cada uma seguiu seu rumo e não se sabe por que talvez porque uma delas se mudara para os lados da Tijuca, começara a trabalhar (o trabalho afasta às vezes os amigos e em outras cria amigos) e não se sabe como aquela amizade maravilhosa sumira no ar. Desaparecera......
Ninguém sabia da outra. Não existiam os celulares, a internet. Era correio e o telefone era coisa de louco conseguir uma linha.
Cada uma seguiu o seu destino. Mas por estranha coincidência do destino ambas escolheram a mesma profissão – Psicólogas. E sem o saber cuidaram e trilharam as mentes dos pacientes, dos candidatos....... sem nunca se encontrarem.
Uma casou, teve filhos, mas foi morar mais distante ainda. No outro lado do Brasil. E assim o que era perto, ficou longe. O que era eterno ficou aparentemente acabado.
Tiveram novos amigos, novos sonhos, novas fantasias. Uma lembrava-se da outra cada qual a seu jeito. O ar de sorriso de uma ficava na mente da outra. A franja, o uniforme cáqui, o sorriso maroto.
E o caderno de recordações não deixava uma esquecer-se da outra. Uma relia o que a outra havia escrito,.A outra via fotos antigas e se lembrava da amiga.
Uma tinha uma nota de 2 cruzeiros, antiga, velha com os nomes de todos os colegas daquela época e lá estava o nome da amiga. Mas não estava presente, estava ausente.
A imagem que tinha era a mesma da adolescente nem si quer pensava que a outra crescera como ela, amadurecera como ela, envelhecera como ela.
Eram eternas adolescentes nas mentes uma da outra.
A juventude esta dentro de cada um de nós, não no exterior. Assim ambas adolescentes por dentro finalmente se reencontraram no okurt da net.
E ai vieram os e-mails de reconhecimento, a surpresa, a alegria, as informações que faltavam, o quebra-cabeça sendo preenchido, a colcha de retalhos sendo reconstruída.
E veio a web cam, as fotos vieram , veio a saudade, veio a amizade guardada no fundo não da gaveta, mas do coração.
Saudade é a vontade de ver novamente! Nada mais certo do que isso......
E agora vamos nos reencontrar ao vivo e a cores..... E como adolescentes ficamos na expectativa do reencontro.
Será com trazer ao futuro o passado distante.
AMIGO É O IRMÃO DISTANTE, ESCOLHIDO POR NÓS....
quinta-feira, 16 de abril de 2009
FOTO AMARELADA

Ana Maria Guimaraes Ferreira
Mexendo nas gavetas para jogar fora as coisas que não mais eram úteis,ela caiu aos seus pés: uma velha foto amarelada, sépia.
Olhou de relance e ia deixar ficar ao chão, mas algo a fez retroceder, abaixar-se e pegar a velha foto e olhar novamente, com calma, devagar.
Lembranças são para serem saboreadas vagarosamente. Olhou e o que viu trouxe um sorriso espontâneo em sua face franzida.
Era ela mesmo aquela menina magricela, de pernas longas, quase sem busto, vestida num maiô de corpo inteiro, com um cabelo a la Joãozinho( moda da época) com aquele chapéu engraçado e aquela cara de mistério?
E para quem ia aquele sorriso misto de amor e de carinho? Olhou para o outro canto da foto e ali estava ele: a razão do sorriso. Seus olhos viajaram na fotografia e ela viu aquele rapaz franzino, de cabelos claros e gandes olhos fixos e notou que ele tambem sorria de outro ponto da foto.
Voltou ao tempo da foto e sem querer, viu-se em Paquetá. Sim era ali que a foto havia sido tirada. Ilha de Paquetá - Rio de Janeiro.....
Praia mansa, sem ondas, sol não tão escaldante como agora (seria por causa das árvores ou por causa da camada de ozônio de hoje?)
Conseguia captar no olhar dos dois o amor adolescente. Um jieto maravilhoso de falar pelo olhar, de expressar ternura sem tocar, de querer sem se dar.
Ouvia os risos, sentia as ondas pequeninas roçando-lhe os pés. Águar morna, areia clara....
Sorriu ao ver o maiô "engana mamãe" : na frente corpo inteiro, de costas duas peças.
Nada de biquinis provocantes ou insinuantes com bundas à mostra.
Não: tudo era para que a imaginação funcionasse : acho que por isso éramos mais criativos no amor. Um simples pegar uma mão na outra trazia a sensação de extase. Um beijo roubado nossa era a glória!
Não tinhamos o "ficar" o "ficante" tinhamos o namorar, o amante, o apaixonado, o enamorado.
Curtíamos piquenique em Paquetá, na Praia da Urca, na Praia Vermelha, na Quinta da Boa Vista.
Adorávamos a sessão da tarde no Cinema Carioca onde tinhamos nossas pequenas paqueras que muitas vezes nos seguiam de ônibus ate a parada de nossas casas.
Nada de shoppings, nossos passeios eram ir a Praça Saens Pena .
Tinhamos os bilhetes trocados nas salas de aula escondido dos professores, dos inspetores.
Era perigoso ter namoradinho na sala e trocar bilhetes. Sempre tinha o inspetor que fiscalizava. Era perigoso e ao mesmo tempo excitante.
Se o inspetor pegasse eramos levados à diretoria e nosso pais eram convocados via a caderneta escolar.....
E as cartas de amor? era maravilhoso escrever para namorados distantes. Existia ate o casamento por procuração e os namoros via fotonovelas. Jovens da AMAN e da EPCar se correspondiam com as moças e as vezes um amor nascia pelas letras das cartas.
Assim cada vez que o moço do correio chegava era um Deus nos acuda. Todos queriam saber se a carta esperada tinha chegado. Sempre era uma emoção ou do amor correspondido ou do caso terminado.
Tinhamos os bailes de formatura onde orquestras tocavam musicas lentas e noos obrigavam a sentir o parceiro tocando em nossas cinturas, seu cheiro, as vezes um beijo roubado, escondido camuflado nas barbas que começavam a nascer.
Era pura emoçao os preparativos para o baile,os cabelos, a roupa, os vestidos rodados a rodopiar pelo salão e assim chamar a atenção para aqueles que sabiam dançar bem o bolero.
Para quem tinha graça nos pés, ritmo no corpo e frescor nos rostos.
Tinhamos olhares trocados, sorrisos disfarçados, e um amor tão puro como as letras das músicas que embalavam nossos sonhos.
Tudo isso foi revivido em instantes, por causa de uma fotografia amarelada, que por pouco, muito poouco não ia para o lixo.
Assinar:
Postagens (Atom)


