quinta-feira, 13 de agosto de 2009

Uma carta de amor


foto:internet


Andava pelo parque e me sentara à sombra de uma árvore, curtindo a manhã de sol e a suave brisa que fazia com que aqueles atletas de fim de semana não suassem tanto, não cansassem tanto.
As folhas das árvores haviam caído e eu remexia com um pauzinho, galho partido de uma delas, quando toquei em algo.
Senti-me como um arqueólogo que acha uma tumba. Cuidadosamente, vasculhei as folhas e vi onde meu pequeno bastão arqueológico tinha emperrado.
E assim ela surgiu: um envelope não colado, com folhas dentro como se fosse uma carta. O envelope amarelado, não se sabe, se pelo tempo, ou por estar exposto ao tempo e as folhas, me dava a intuição de estar ali por muito tempo. Mas ele estava ali. Ávido para ser descoberto
Fiquei em duvida se devia ler o que estava ali ou se eu estaria adentrando na intimidade de alguém. Mas minha curiosidade de arqueólogo fez com que eu a pegasse delicadamente. Como se fosse um pincel, meus dedos espanaram a poeira e vi no envelope apenas uma frase: “A você com amor”.
E assim, fui me colocando numa historia de vida, vivida por uma carta de amor datada de 2004.

Meu sempre querido,

Não sei se você chegara a ler esta carta ou se terei a coragem de te enviar, mas sei que preciso colocar aqui o que me vai à alma e o que me atormenta a ponto de me tirar o sono.
Não sei se você conseguirá entender o meu ato, mas espero que realmente você entenda.
Meu amor por você vai além do consciente, do racional. Amanheço com você no meu pensamento, passo o dia convivendo com sua imagem que circula pelos meus olhos e a noite, quando me deito é você que vem povoar meus sonhos.
Não tenho tempo para mais nada a não ser ver você, pensar em você e amar você.
Por você abandonei meus sonhos, meus ideais, minha vida construída ao longo de dez anos. Abandonei uma família, marido e filhos
Por você me transformei, mudei, melhorei, pois queria lhe dar sempre o que de melhor existisse em mim.
Não exigi nada, não pedi nada, não ousei nada.
Limitei-me a esperar, a ser paciente, a ter você sempre que desse.
Mas o tempo passou e o seu amor apesar de não ter diminuído, mostrava-se acomodado e percebi que eu já não queria somente momentos perdidos, queria mais, muito mais. Queria você, queria viver, queria amar, mas queria você completo não pela metade.
Mas você não podia. Tinha sua filha doente que precisava de você. Eu sabia que ela não sobreviveria sem você ao seu lado.
E assim fui ficando e você continuava a sua vida mesmo me amando ao lado de outra que si quer sabia de minha existência.
Quando você me disse que não podia mais ficar sem mim, quando imaginei que você poderia também largar tudo e depois se arrepender, senti medo. Medo de você me culpar, medo de você se frustrar, de você se violentar e aos poucos se deixar morrer.
Não poderia conviver com isso, Não suportaria te ver triste e culpado atormentado e acabado ao meu lado sem poder viver o grande amor que temos.
Por isso tomei essa decisão. Amo você demais para sentir sua dor e não poder curá-la.
Se a coragem não me faltar estarei hoje depois de estarmos aqui no Parque te entregando essa carta e me despedindo de você. Não sei para onde irei, mas levarei comigo o amor a você.
Se não tiver coragem rasgarei essa carta e me abandonarei aos seus braços e viverei esse amor do jeito que der.
Seja qual for minha decisão ou minha coragem saiba que sempre te amei e sempre te amarei.
Se acreditasse em almas gêmeas diria que você é a minha e eu a sua
Mas não sei se posso ou se devo acreditar nisso por isso prefiro crer que a razão do nosso encontro é divina, mas que mais divina é a sua tarefa e por isso saio do seu caminho como entrei devagar, sozinha.
`Perdoe,
Sou como disse um poeta
“Quem muito te quis bem”

Tua amada amiga

Vinha um nome que prefiro não lembrar para não colocar a intimidade desse amor assim na poeira do vento.
Mas uma coisa me fez pensar se ela tinha dado a ele a carta e ele a deixou perdida no parque, se chorou,desesperou-se e abandonou a carta com a raiva dos que foram abandonados. Ou se ela não teve coragem, abandonou a carta e a perdeu no meio das folhas e se foi com ele caminhando de braços e mãos juntas vivendo um grande amor...

Um comentário:

  1. Ana, vc é danada!
    Amei!
    Entendi e tirei coisas para mim!
    Beijos,
    Adir

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